Sobre o Psicodália ou a comemoração da vida em música

Sobre o Psicodália ou a comemoração da vida em música

O sol assumiu a comissão de frente nessa edição comemorativa do Psicodália, festival independente que acontece tradicionalmente no carnaval, na Fazend...

Os melhores discos de 2016
Conheça os blocos cariocas que homenageiam a música brasileira
Jorge Ben Jor é o homenageado do Nivia Viva 2017

O sol assumiu a comissão de frente nessa edição comemorativa do Psicodália, festival independente que acontece tradicionalmente no carnaval, na Fazenda Evaristo, em Santa Catarina.

O convite já nos dizia o que esperar: um evento com o feminino aflorado, como um espaço de libertação e interpretação desse movimento no mundo, em nós. Quando saiu o line-up, não nos restava mais dúvidas sobre isso. Estaríamos celebrando isso entre os gigantes, sendo alguns deles Cátia de França, Ney Matogrosso, Liniker e Céu.

Na fazenda, a reunião de 6 mil pessoas começou na sexta (24) e foi até quarta (01). Com muita tranquilidade, as pessoas se ajudavam no camping, nas filas dos banheiros e juntavam comidas entre os vizinhos do acampamento.

A rádio Kombi ajudou no clima. Durante os 5 dias, contávamos com músicas no banheiro e festas temáticas entre os shows. A rádio também ajudava gente perdida, dava recados importantes e mantinha uma seleção musical impecável.

Transitar pelado era normal por ali. Assim dava pra assistir shows, tomar banho no lago ou dar uma volta na cachoeira. Ninguém ia te incomodar por causa disso. Assédio também não era uma palavra usada lá. As minas andavam tranquilas, sim senhor (aliás, tá difícil voltar ao mundo real).

E os shows, hein?

Sá e Guarabira já começaram tocando clássicos na noite de sexta e foram seguidos pelo show do Casa das Máquinas, banda que agitou o público. Mas o agito continuou por conta de Cabruêra, com uma pegada de forró, rock, soul, maracatu e ska.

O sábado foi épico. Logo cedo já tinha o pessoal de Manaus mandando ver com a Luneta Mágica. Depois ninguém segurou: Di Melo e Trombone de Frutas não pararam, seguidos por Liniker e os Caramelows, num show lindo, dançante e marcado pela sintonia da revolução do ser o que quiser. Metá Metá chegou para marcar um carnaval bem psicodálico.

Ao ar livre, Ney Matogrosso fez um show curto e grosso, mas caracterizado pela sedução, liberdade e expressão. Antes dele, teve um show quente da Francisco, el Hombre. As mulheres se tornaram uma cantando “triste, louca ou má”. Isso foi domingo, que teve a madrugada tomada por Ian Ramil e The Baggios.

Na segunda, teve Erasmo, mas também Iconili, uma surpresa vinda lá de Minas Gerais. E terça teve a força da Céu fechando esse encontro cósmico. Ao todo, o festival recebeu 52 bandas, que se dividiram em 4 palcos.

Sobre os afins

Durante o festival, a lua esteve em peixes e a gente se entregando ao cardume do carnaval vivendo a consciência de fazer parte de um todo. Também aconteceu um eclipse solar, onde a lua (feminino) tampou o sol (masculino). Quem me disse isso foi Estrela Leminski – aham, a filha do Paulo Leminiski e da Alice Ruiz – numa palestra sobre astrologia.

Na ida pra cachoeira, ouvi a moça que guiava o grupo numa visita à mata, que as araucárias macho e fêmea se distinguem pelos galhos. Os machos formam uma espécie de pinheiro, vindo com galhos desde baixo. As fêmeas têm copas altas, redondas e braços perto do céu, só. Parece muito que elas querem cuidar de tudo, enquanto olham as estrelas tão lá de cima.

Agora a gente passa sentindo, cada vez mais, ser um pedaço de céu. E ainda há música nesses dias que voltam cinzas depois de tanta cor. Depois de tanta celebração e encontro. Depois de tanto feminino.