As mulheres sentam em círculo, em algumas tradições, em busca da cura. É a união do sagrado para o entendimento, a aceitação e a restauração. Em certo período da história, essas mulheres foram caçadas e queimadas. E ao analisar o contexto da Idade Média, é possível perceber que as bruxas em questão eram as parteiras, enfermeiras e assistentes. Conheciam o valor das plantas medicinais e tinham um elevado poder social. Dessa forma, essas mulheres acabaram despertando a ira da instituição médica masculina em ascensão, que viu na Inquisição um bom método de eliminar as suas concorrentes. * Ao longo do tempo, as bruxas ganharam aspecto sombrio e assustador. As mulheres foram diminuídas, submetidas ao caos. Ainda são. Mas, e se em compensação a isso, existisse uma caça às bruxas às avessas? O clipe de “Falo”, da Carne Doce, nos coloca essa reflexão. Diante de um cenário ainda catastrófico para as mulheres, a banda assume um caminho simbólico para representar uma das canções mais intensas do álbum Princesa.
"Falo é sobre uma indignação legítima, um acúmulo de pequenas injustiças cotidianas, que vai sendo cozinhado até se tornar ira, ódio. O que antes era a minha ausência de poder como vítima se transforma num poder para a tirania. É a música mais direta sobre as minhas reflexões do feminismo nas minhas relações particulares, ainda que visando uma história que pudesse ser universal. Tem sido incentivado que as mulheres façam essa investigação e essa denúncia do machismo nas suas relações particulares, de trabalho, familiares, afetivas. Como muitas, eu andei me instigando sobre isso",
diz Salma Jô, autora da letra e co-autora do roteiro. E se sentar em círculo para compartilhar conhecimentos nos levou à fogueira, hoje nos unimos para sermos mais fortes juntas. Pensar a situação mulher no mundo encontra eco no peito de outras mulheres, as mulheres que são na voz de Salma. Confira o vídeo: