Festival SÊLA: um festival sobre ser mais ela

Festival SÊLA: um festival sobre ser mais ela

Do dia 1 ao dia 05 de fevereiro acontece, em São Paulo, o Festival SÊLA. Embebido de empoderamento e sororidade, o festival surge como um levante à pr...

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Do dia 1 ao dia 05 de fevereiro acontece, em São Paulo, o Festival SÊLA. Embebido de empoderamento e sororidade, o festival surge como um levante à produção feminina, dentro e fora dos palcos, com um line-up de tirar o fôlego.

Esparramado por vários cantos da cidade, o evento conta com shows (o serviço completo está logo abaixo) e uma roda de conversa sobre os “Paradigmas da mulher na música”.

Para entender um pouco mais disso tudo, conversamos com a Camila Garófalo, 27, que é cantora, idealizadora e articuladora do SÊLA, uma pessoa que cansou de ser diariamente diminuída por ser mulher e resolveu ser um ponto de união entre mulheres. Ela não cala o (nosso) grito, não:

  1. Estou muito curiosa para saber a origem do nome do festival!

A palavra SÊLA carrega muitos significados. Primeiro pelo fato de se apropriar de uma palavra originalmente masculina (selo). Mas principalmente por trazer a mesma ideia da palavra “sororidade”, que é “colocar-se no lugar da outra” e, portanto, “ser ela”. É ter empatia pelos problemas das outras mulheres, é entendê-la e, sobretudo, não julgá-la. O objetivo do nome vai de encontro com o objetivo do projeto, que é desconstruir essa condição social de competição entre as mulheres.

 

  1. A ideia de empoderar mulheres, dentro e fora do palco, em uma cena que deixa a mulher relegada ao papel de musa causa certo furor. Como você tem sentido a recepção do evento?

Claro que causa furor, porque a mulher nunca pôde ter muita opinião, sempre foi objeto de prazer. Cada vez que a mulher sai desse lugar e se posiciona como figura forte e independente, o castelinho do patriarcado desmorona. Esse festival está sendo feito por mulheres e para mulheres, todas somos autossuficientes e temos autonomia nas nossas funções. Homens são bem vindos mas nós é que somos as protagonistas. Prova disso é que estamos sendo muito bem recebidas nas mídias, também por atender uma demanda crescente por conta da popularização do movimento feminista (o que é ótimo).

 

  1. Hoje nós somos o 5º país que mais mata mulheres no mundo. É um país que apresenta line-ups de festivais, em sua maioria, com muito mais homens que mulheres. Quais as perspectivas, a partir dessa primeira edição, para o trabalho de empoderamento e conquista de espaço das mulheres na música brasileira?

As mulheres não são ouvidas. A sociedade as limitam ao transformá-las em divas, que tem a função única de seduzir. Há muitas mulheres que tocam instrumentos maravilhosamente e são subestimadas toda vez que vão se apresentar. A SÊLA também quer mudar isso, incluindo compositoras, instrumentistas, produtoras, iluminadoras e fotógrafas em suas programações e ações coletivas. Queremos o fim da cultura do estupro e da chacina das mulheres. É preciso muni-las de informação e oportunidade para que elas apropriem-se da causa e empoderem-se em todos os sentidos.

 

  1. Como você percebe esse movimento da música brasileira que quebra os paradigmas de gênero?

É fundamental o incentivo à projetos que somam a questão do gênero, os direitos LGBT´s, o feminismo, o anti racismo, o anti fundamentalismo. Acredito que cada um deva militar na causa em se enquadra para que tenha autonomia nas suas reivindicações. No nosso festival, as quebras de paradigmas refletem-se no lineup: queremos mulher preta, branca, cis, trans, hetero, gay e de todas as partes do Brasil.

 

  1. Você já sofreu por ser mulher no espaço fonográfico?

Todos os dias. Quando dou minha opinião e não sou levada a sério. Quando fecho um show e o programador quer tirar uma casquinha. Quando digo que sou compositora e não botam fé. Quando falo que gosto de mulher e o jornalista fica grosso. Quando descobrem que minha baterista é mulher e perguntam se ela toca bem. Quando faço um festival só com mulheres e me perguntam se fizemos sozinhas. Sim, fizemos.

 

  1. Qual a mensagem que você gostaria de deixar para as mulheres brasileiras hoje?

Que resistam pois a melhora é real. Tantos outros projetos também estão na mesma luta para provar isso, como o site Womens Music Events, que reúne centenas de profissionais mulheres na área de música, o Sonora, que reúne compositoras de todo o Brasil, a revista AzMina, o programa de “Mulheres Fora da Caixa” e as novas equipes de mulheres sendo formadas na política. Há muitos esforços sendo feitos e ninguém está sozinha. Essa desconstrução está sendo feita em todas as áreas possíveis, inclusive na música. Tudo é permitido, menos tratar a amiga como inimiga. A confiança deve ser bruta.

 

Serviço

Festival SÊLA

DIA 1 – 01 de fevereiro
Festa de Abertura Demandas LÔCA DO PLAY no Festival SÊLA
Roda de Conversa com o tema “Paradigmas da mulher na música”
Convidadas: Nina Oliveira, Manallu, Silvia Sant’Anna e Amanda
Mediadora: Cris Rangel
Show: #MeClareia com Anna Tréa
DJ Set: Juli Baldi
Onde: BREVE (Rua Clélia, 470. Pompeia. São Paulo/SP)
Quando: 1/2 a partir das 19h
Quanto: R$ 15 e R$ 20.
Mais informações: Aqui

DIA 2 – 02 de fevereiro
FESTA DE IEMANJÁ Festival SÊLA + BAPHYPHYNA
Show: DJ Luana Hansen + Érica + SANNI (Alemanha)
Dj Set: Amanda Mussi
Onde: O Lourdes (Rua da Consolação, 247, Loja 8. São Paulo/SP)
Quando: 2/2 a partir das 20h
Quanto: R$ 15.
Mais informações: Aqui

DIA 3 – 03 de fevereiro
Abertura (30 min): LaBaq + Marina Melo (+ Mel Duarte)
Show (1h): Tássia Reis
Onde: CCSP / Sala Adoniran Barbosa
Quando: Dia 03 de fevereiro às 19h.
Quanto: R$ 15 inteira R$ 7,50 meia
Ingressos: Aqui
Mais informações: Aqui

DIA 4 – 04 de fevereiro
Abertura (30 min): Sara não tem nome + Camila Garófalo
Show (1h): As Bahias e a Cozinha Mineira
Onde: CCSP / Sala Adoniran Barbosa
Quando: Dia 04 de fevereiro às 19h.
Quanto: R$ 15 inteira R$ 7,50 meia
Ingressos: Aqui
Mais informações: Aqui

DIA 5 – 05 de fevereiro
Abertura (30min): Natália Matos + Sandyalê
Show (1h): Tiê
Onde: CCSP / Sala Adoniran Barbosa
Quando: Dia 04 de fevereiro às 19h.
Quanto: R$ 15 inteira R$ 7,50 meia
Ingressos: Aqui
Mais informações: Aqui