Entrevista com Ava Rocha

Entrevista com Ava Rocha

A primeira coisa que pensei nos primeiros segundos em que conversei com a cantora Ava Rocha foi: Eu não tenho profundidade poética pra me comunicar co...

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A primeira coisa que pensei nos primeiros segundos em que conversei com a cantora Ava Rocha foi: Eu não tenho profundidade poética pra me comunicar com essa mulher. Não tenho literatura, não tenho vocabulário.

Como me reportar à irmã por parte de pai do Cinema Novo, que compõe músicas que falam com a minha alma umas coisas que nem eu sabia?

Morri de medo de falar bobagem, perguntar o que não devia ou ser inconveniente, mas a tensão passou logo, porque além de talentosa, ela transmite paz de espírito. Comecei – embora talvez nem devesse – mencionando seu pai, Glauber Rocha:

1. Existe algum ensinamento que Glauber te deixou e que é mais importante para a Ava artista que a gente conhece hoje?

Acho que… São muitas coisas. (ou ela olhou para baixo como se estivesse mergulhando em memórias ou eu tenho a imaginação fértil demais). Acho que a coragem.

2. Você acredita que existe uma geração da NeoMPB que tem bebido do Tropicalismo? Você mesma tem influências desse movimento?

Eu não vejo como NeoMPB, e, por outro lado… eu acho que ela não bebe na fonte, eu acho que ela é filha disso. Entende? E como filha disso, ela também tá indo além, tá evoluindo, tá seguindo seus próprios passos.

3. Você é filha disso?

Eu sou filha, né? De uma época, de um momento histórico, a gente tem uma formação. O Brasil e a minha geração têm essa formação com Tropicalismo, Cinema Novo, mas a gente também transmuta isso. A gente está fazendo as nossas coisas.

4. Como funciona o seu processo criativo? Como você faz suas coisas?

É bem variado, depende de muitas circunstâncias, depende do dispositivo que dispara, assim, aquela inspiração do momento, o que é que te inspira no momento. Às vezes é uma poesia, às vezes é um mergulho no violão, a introspecção, varia muito, têm muitos fluxos criativos possíveis.

5. Existe um grande compositor brasileiro que te inspire particularmente?

Não, não existe um… São muitos. Desde letristas, grandes letristas – um deles é o Ronaldo Bastos, um grande letrista – você tem músicos como Dorival Caymmy, Caetano Veloso, como Noel Rosa, como Tim Maia, Dolores Duran, isso só entre os brasileiros, então, quer dizer: São muitos, são muitas vozes.

6. O que você está preparando pra 2017?

Tô preparando um disco novo, que tô esperando já entrar em estúdio pra gravar no mês que vem, e tô com a agenda cheia, a turnê continua. Vou pro México, vou fazer uma turnê na América Latina, tô indo pra a Colômbia também, muita coisa. Shows, uns clipes pra virem também, tem esse disco novo, tem o disco que eu fiz na Colômbia. Isso é uma novidade bonita, porque é o disco que eu fiz com uma banda de lá, e eu sou metade colombiana, né?

7. Qual o nome do disco?

Los Toscos e O Negro Léo. É um disco todo em espanhol que a gente deve lançar agora no primeiro semestre.